Hipnose

Hipnose.

O médico e pesquisador britânico James Braid (1795-1860), ao crer que o processo do transe a que o indivíduo é induzido durante o processo era uma espécie de sono adotou o temo hipnose, do grego hipnos=sono e do latim osis=ação.
Quando se descobriu que o indivíduo, de fato, não dorme durante o processo o temo já havia se consolidado e assim permaneceu.

Para a Associação Americana de Psicologia a hipnose é um procedimento durante o qual um profissional de saúde ou pesquisador sugere a um sujeito que vivencie mudanças em sensações, percepções, pensamentos ou comportamentos. Esse contexto é iniciado após um processo de indução, em que o sujeito segue induções simples e manter sua atenção voltada para a voz do hipnotista.

Existem, ainda hoje, discussões a espeito da definição exata sobre o que seja hipnose. Alguns chegam a dizer que é um tipo de estado alterado da consciência que precisa ser induzido por alguém. Outros dizem que é um fenômeno natural em que a atenção fica concentrada, podendo ocorrer sem a presença de um hipnotizador (auto hipnose).

Tipos

Hoje podemos encontrar várias vertentes ou denominações de hipnose: Clássica; Clínica; Ericksoniana; Condicionativa; etc...  Porém tudo isso apenas diferencia a forma de abordagem das induções e sugestões.

Milton Hyland Erickson (1901-1980), por exemplo, acreditava que todo ser humano já possui dentro de si os recursos necessários para a resolução de seus problemas, e o terapeuta atua como um catalisador desse processo.

Mitos

A população, em geral, ainda vê a hipnose com um certo preconceito, em grande parte gerado pelo mau uso que alguns hipnotistas fazem dela, gerando grande prejuízo a seu uso como ferramenta potente para auxiliar na solução de vários dos problemas do ser humano.

Vamos procurar esclarecer alguns deles:

1 – SONO

Hipnose não é sono.

Quando o hipnotista diz “durma” no processo ele está apenas utilizando uma metáfora para que o sujeito relaxe profundamente, pois geralmente associamos o ato de dormir com o relaxamento mais profundo que podemos alcançar.

2 – CONTROLE ABSOLUTO

O hipnotista não controla a mente e os desejos do hipnotizado.

Quando o hipnotizado realiza instruções dadas pelo hipnotista ele nunca fará nada que esteja em desacordo com a sua conduta moral ou seu instinto vital.  Assim não se pode forçar uma pessoa a realizar ações criminosas ou ridículas sem que isso já faça parte de sua índole.

O hipnotizado continua com CONTROLE ABSOLUTO sobre si mesmo.

3 – SEGREDOS REVELADOS

Durante o período em que a pessoa está sob hipnose esta continua com o mecanismo de vigilância e integridade ativo. Desta forma NUNCA revelará segredos ou fornecerá informações que ele mesmo julgue que devam ficar reservadas.

4 – PERDA DE CONSCIÊNCIA

O hipnotizado jamais perderá a consciência. Ficará plenamente consciente do que acontece no ambiente, podendo, inclusive, ter sua percepção aumentada; ouvir coisas de ambientes vizinhos. O que ocorre é que a sua atenção fica concentrada no hipnotista e em sua voz.

5 – TECNICA ESOTÉRICA

A hipnose é um fenômeno neurofisiológico, ativando mecanismos cerebrais que podem ser constatados em exames específicos, nada possuindo de esotérico. Esse tipo de interpretação surgiu em épocas em que não possuíamos mecanismos médico-científicos para estudar as alterações cerebrais.

Assim pode-se produzir por indução manifestações que não aparecem normalmente no estado de vigília, como rigidez muscular, analgesia (muito utilizada por dentistas pois há pacientes alérgicos aos anestésicos), hipermnésia – aumento da memória.

O hipnotista pode utilizar as vantagens de trabalhar com o cérebro neste estado para auxiliar as pessoas.

6 – TODOS SÃO HIPNOTIZÁVEIS

Se considerarmos que existe também a auto hipnose, que aplicamos em nós mesmos diariamente sem perceber, podemos dizer que 90% da população é hipnotizável em algum momento. Contudo o processo somente se completará se o hipnotizado permitir que o hipnotista o conduza.

Sujeitos com transtornos mentais psicóticos e portadores de epilepsia não devem ser conduzidos ao transe de forma geral. Isto não significa que não possam ser hipnotizados, porém exige um grau de especialização profundo do hipnotista.

7 – NÃO VOLTAR DO TRANSE

VOLTAR é uma palavra interessante, uma vez que o sujeito não vai a lugar nenhum, não conhecemos relato de alguém que tenha ficado no transe sem poder sair.

Utilização

A hipnose é uma poderosa ferramenta que pode ser empregada em diversas áreas de nossa vida cotidiana, pois nos possibilita explorar de forma saudável parte de nossa mente inconsciente, desenvolvendo uma relação harmoniosa com esta poderosa fonte de recursos que ficam armazenados nela.

Sem a menor dúvidas as abordagens terapêuticas e clínicas da hipnose podem auxiliar no tratamento de melhora da qualidade de vida dos que se submetem a ela.

Do ponto de vista médico podemos utilizar em:

- alívio de dores, por analgesia e até mesmo anestesia

- controle de estados de ansiedade e apreensão, de qualquer natureza

- controle de hábitos negativos como vícios (fumo, álcool, etc)

- auxílio no emagrecimento

- na pesquisa experimenta de campo psicológico, neurofisiológico e outros

Podemos também conseguir melhora no desempenho de estudos ou performance pessoal em diversas área trabalhando crenças limitantes e melhorando nossa disposição para estudo e capacidade de raciocínio.